Viagens pela Europa

Uma grande vantagem de morar aqui na Irlanda é que tudo fica perto, e sempre tem algum voo em promoção para lugares legais. No final de janeiro fomos até Amsterdã (€129 ida e volta para duas pessoas com todas as taxas), no começo de fevereiro passamos quatro dias em Paris (€109, duas pessoas) e na semana passada fomos até Barcelona por €139. E esses preços seriam ainda melhores se eu não precisasse viajar só nos finais de semana. Para voos durante a semana dá para ir até Londres, por exemplo, com €30.
Eu ainda não conhecia Barcelona, e achei a cidade maravilhosa. Só de pegar quase 20º e sol durante dois dias já valeu a pena (aqui em Cork tinha até nevado na quarta), e ainda tivemos a sorte de acertar em cheio no hotel. Ficamos em um hotel chamado Villa Emilia, com uma estação de metrô na esquina e perto da Plaça d’Espanya e da Plaça Catalunya. Como o tempo por lá era curto (fomos na sexta a noite e voltamos no domingo), acabamos pegando o Bus Turistic, que por €27 te leva para todos os pontos interessantes da cidade por dois dias seguidos. Com isso pelo menos conseguimos ter uma boa noção da cidade e conhecer os lugares mais importantes (Sagrada Família, Camp Nou, Parque Tibidabo) e planejar uma próxima visita.

O país parou

No dia de Natal, depois do almoço, falei meio brincando que estava com vontade de ir até Belfast aproveitar o Euro forte (a cotação está quase um Euro para uma Libra em algumas lojas) e fazer umas compras.  Mal sabia que todo mundo iria topar e em menos de uma hora estaria no carro enfrentando os quase 500 quilômetros até a Irlanda do Norte.

O detalhe que nós esquecemos de levar em consideração é que a República da Irlanda é um país extremamente católico, e no dia de Natal TUDO fecha, de uma maneira que eu nunca tinha visto na vida.  Quando chegamos em Dublin, ao ver tudo fechado e já com fome, sugeri parar no aeroporto para comer alguma coisa, já que ele fica no caminho e ainda faltava uma hora e pouco até Belfast.  O que eu não imaginava é que o aeroporto da capital estaria completamente fechado e nenhum voo pousa ou decola em Dublin no dia 25 de dezembro.  Passado o choque, depois de parar em dois hoteis fechados nós encontramos um posto de gasolina aberto e conseguimos comprar um sanduíche para quebrar um galho.

A segunda decepção do dia foi ao cruzar a fronteira da Irlanda do Norte.  Não que eu esperasse as metralhadoras de alguns anos atrás, mas pelo menos uma placa eu imaginava que veria.  Só percebemos que já estávamos no Reino Unido quando vimos um carro de polícia diferente e as placas mudaram de quilômetros para milhas.  

No final das contas o passeio valeu muito a pena.  A cidade de Belfast é muito bonita, e as promoções de Natal estavam excelentes.  Agora é torcer para o Euro continuar forte (ou a Libra fraca) para poder voltar lá outras vezes.  :)

Custo de vida na Irlanda

Essa semana recebi uma mensagem pelo Flickr do Gabriel, que está morando em Portugal mas pensa em vir para a Irlanda para aprender inglês.  Além de querer saber sobre a vida noturna aqui em Cork (que eu conheço muito pouco, mas pelo que vi parece ser bem animada), ele estava curioso em relação ao custo de vida aqui na Irlanda.  Essa semana eu li no Irish Times que a Irlanda é o quarto país mais caro do mundo para se viver, e pelo que eu tenho visto é isso mesmo.  Os aluguéis, por exemplo, começam na faixa de €1000 por em apartamento de um quarto na cidade, e podem custar muito mais caro dependendo da área.  Claro que dá para encontrar coisas por valores mais baixos, mas eu não recomendaria.  

Um colega de trabalho optou por alugar uma casa em Midleton (onde fica a destilaria do whiskey Jameson), e com isso ele economizou uma boa grana por mês, mas leva duas horas no trânsito todo dia, sem falar no gasto com gasolina (€1.10 o litro, mas felizmente os preços parecem estar caindo nos últimos tempos).  Sei que em cidades grandes passar duas horas no trânsito é o normal, mas por aqui, a não ser que você more em Dublin, foge completamente dos padrões.

O mais importante para quem está no exterior é nunca pensar em quanto as coisas custariam no Brasil, por que senão você pira.  Um café, dependendo do lugar, custa €3, e um jantar simples não sai por menos de €30 (sem vinho, só com refrigerante).  Uma Guinness no pub custa €4, mas no supermercado você compra por €2.  Por outro lado, eletrônicos custam bem mais barato, e dá para encontrar uma bela TV LCD  de 40 polegadas por cerca de €700, um aparelho de DVD por €20 e um microondas por €30.

Do jeito que a economia anda e com o real desvalorizado, para morar por aqui só mesmo ganhando em Euro. :)

E eu achei que seria fácil…

Depois de tanto tempo sem escrever por aqui estava até com vergonha de voltar como se nada tivesse acontecido.  Quando eu decidi mudar para a Irlanda e parar temporariamente o guileite.com e começar a escrever neste blog achei que seria super simples, bastaria contar um pouco da minha vida aqui e pronto, teria posts bacanas.  Mas a verdade é que a rotina por aqui não é lá muito interessante, acordo cedo e vou para o trabalho, volto para casa a noite (que nessa época do ano significa qualquer coisa depois das 4:30, já que anoitece muito cedo), assisto alguma coisa na TV, falo com o povo no Brasil e só.  Final de semana é uma coisa que eu tenho visto muito pouco, já que estamos com tanto trabalho lá na “firma” (como diz o Maestro Billy) que eu tenho trabalhado direto.  E não é aquela coisa de “dar uma passada no escritório” no sábado não, são 9, 10 horas nos dois dias, direto.  Resumindo, faltam novidades que eu possa comentar e também tempo e energia.

Fizemos algumas viagens rápidas por aqui.  Em um dos raros finais de semana livres fomos até Dublin de trem. Depois dos trens da China no ano passado o daqui é super luxo, e por €33 te leva de Cork até Dublin em três horas.  Ficamos em um hotel perto da Rua O’Connell, e claro, fomos até a Guinness fazer o passeio pela cervejaria e tomar umas pints no bar, que fica no sétimo andar.  Eu adoraria dizer que foi ótimo e que ficamos por lá um bom tempo admirando as montanhas Wicklow, mas estava tão lotado que achamos melhor descer e ficar no outro bar, sem vista mas com espaço para respirar.  Tá certo, era um final de tarde de sábado, mas eu fiquei com a impressão de que a cerveja é só para enganar, os caras ganham grana é com os passeios e com a venda das camisetas.  A região do Temple Bar teria sido fantástica há uns cinco anos, mas achei bem decadente, cheia de turistas bêbados.  Valeu a pena só pela loja que vende produtos brasileiros, onde eu consegui comprar polvilho para fazer pão de queijo. :)

O passeio pelo Ring of Kerry, uma estrada de 170 km pela península Iveragh, foi bem bacana, mas no primeiro dia tivemos um dia tipicamente irlandês (tradução: choveu pacas e não dava para enxergar nem 100m na frente do carro).  No dia seguinte, também seguindo a tradição irlandesa, o clima mudou completamente e o dia amanheceu sem uma nuvem no céu e pudemos aproveitar, parando em várias cidades pequenas pelo caminho, aproveitando para almoçar em um pub excelente em Kenmare, o Davitt’s.  Altamente recomendado, especialmente o bacon com fritas.  Para terminar o passeio, um pouco de neve nas montanhas perto de Killarney, sinal de que o que eu tenho escutado por aí deve ser verdade e este vai ser o inverno mais frio dos últimos anos.

Vamos ver se com a Fer por aqui (ela volta no começo do mês que vem) essa galera apronta altas confusões e eu tenho assuntos interessantes para escrever.

O dia em que eu quase comprei um iPhone antigo

Já faz quase um mês que cheguei aqui na Irlanda, e essa semana foi aquela na qual as coisas aconteceram.  Aluguei uma casa, comprei um carro, recebi o cartão do banco, me registrei com a Garda (a polícia local), enfim, acertei quase todos os detalhes para realmente começar a vida por aqui.

Hoje quando saí do trabalho passei no shopping para comprar alguma coisa para o jantar e entrei na Carphone Warehouse para comprar um celular (claro, um iPhone 3G).  Fui até o balcão e pedi um iPhone, apresentei os documentos, paguei, peguei a minha sacolinha e fui andando pelo shopping em direção ao meu carro.  Só que no caminho lembrei que precisava comprar uns lençóis para o quarto de hóspedes (vida sozinho não é fácil, tenho que cuidar de tudo na casa para a chegada da Fer daqui 10 dias), e enquanto a moça passava o cartão de crédito decidi abrir o pacote do iPhone.  

Surpresa total, era um iPhone antigo, que oficialmente não é mais vendido por aqui.  Voltei na hora na loja e expliquei para o cara que ele tinha me vendido um modelo antigo, e deu para perceber que ele não conhecia realmente o produto, então não foi uma tentativa de enganar um estrangeiro, simplesmente um erro (que não deveria acontecer, claro, mas faz parte da vida).  Em menos de um minuto ele foi lá dentro e me trouxe uma nova caixa, desta vez com um iPhone 3G, e após milhões de pedidos de desculpas saí da loja com o meu novo celular irlandês.

Adaptação

Depois de dez dias aqui na Irlanda as coisas começaram a andar hoje.  Uma das coisas mais importantes por aqui é o número PPS, uma espécie de CPF, que você usa para várias coisas importantes como abrir conta no banco e tirar a habilitação.  Fui logo no meu primeiro dia útil aqui me cadastrar, mas só hoje consegui o número, e mesmo assim só depois de um telefonema para perguntar por que ainda não tinha recebido pelo correio.  Burocracia é igual em qualquer país do mundo.  :)

Acho que amanhã já consigo abrir a conta no banco, e com isso alugar o apartamento que encontrei e comprar um carro.  Não estou a pé, continuo com o Peugeot 107 alugado, mas não vejo a hora de comprar meu carro e começar a acertar a vida.  

A semana foi de muito trabalho, mas quando se está fazendo algo interessante você nem percebe.  Como estou sozinho por aqui e não tinha planos para o final de semana acabei me oferecendo para trabalhar, e com isso ainda devo conseguir uma grana extra, além de manter a cabeça ocupada.

Casei e mudei

Literalmente.  Casei na última quinta e no sábado estava no avião a caminho de Cork.  Mudei de ramo de trabalho, de casa, de cidade, de país, e até de visual (cortei o cabelo para o casamento e também em função do clima daqui de Cork).  

Foram três semanas bem corridas aí no Brasil, e ainda estou resolvendo vários detalhes da vida por aqui, mas aos poucos tudo está se ajeitando.  A viagem foi bem tranquila, ainda mais com o upgrade de categoria no avião.  Chegando aqui aluguei um carro, e nas horas vagas estou procurando um apartamento definitivo - estou em um alugado pela empresa - e um carro para comprar.  Ontem já consegui me registrar no seguro social daqui (que funciona como o nosso CPF), e até o final da semana já devo estar com a conta no banco aberta.

Em pouco mais de três semanas a Fer (minha esposa) vem para cá passar um mês e se tudo der certo vamos conseguir escapar por uns dias para nossa lua-de-mel, possivelmente na Holanda. Essa é a grande vantagem da Europa, tudo é perto, e com um pouco de paciência é possível encontrar vôos por preços ótimos. :)

No Brasil

Eu achei que na semana passada eu teria tempo para atualizar o blog com informações sobre a cidade, mas no final das contas acabei ficando a maior parte do tempo em treinamento.   Como cheguei por lá no sábado, deu tempo de ir até Cobh, conhecida por ter sido o último porto onde o Titanic parou antes da sua única viagem, Castelo Blarney (Blarney quer dizer, em inglês, usar charme e linguagem floreada para persuadir, enrolar, e a expressão foi criada pela rainha da Inglaterra em resposta às cartas muito bem escritas mas que não levavam a nada do Lorde Blarney, que não queria abrir mão de suas terras), e Kinsale, uma pequena cidade que fica a uns 25 km de Cork.  No resto da semana a rotina foi só trabalho, com uma rápida ida até o Tesco, um supermercado grande, para dar uma olhada nos preços e ter uma idéia do custo de vida.  Nada muito assustador, e para alegria da Fernanda encontrei leite condensado e creme de leite para vender.  :)

A volta, apesar de cansativa, foi bem interessante.  Hoje é feriado na Irlanda, e por isso todos os vôos do sábado estavam lotados.  Acabei indo para Londres no primeiro vôo do dia, as 7 da manhã, e como meu vôo para o Brasil só saía as 10 da noite peguei o metrô e fui dar uma volta pela cidade. Claro que acabei dando uma passada na loja da Apple na Regent Street, que foi reformada desde a última vez que estive por lá, e fiquei um tempo brincando com o iPhone 3G (descobri em um deles um jogo que ainda não conhecia, Enigmo, e vou acabar comprando).  Encontrei com o Guilherme por lá, um brasileiro que mora em Londres, e juntos demos uma volta pela cidade.  No final da tarde, já quebrado de tanto andar e por ter acordado as 5 da manhã, peguei o trem e voltei para o aeroporto.  Nunca tinha conseguido dormir direito em um vôo, mas dessa vez eu capotei assim que o avião decolou e só acordei com o café da manhã, quase em SP.  

Minha permissão de trabalho já saiu, e agora tenho mais três semanas aqui no Brasil para acertar tudo para a mudança definitiva.

Guiando do lado esquerdo

Quando cheguei ontem aqui em Cork eu fui pegar o carro que havia reservado. Era um Mitsubishi Colt, que no modelo atual lembra um Honda Fit, só que tinha um detalhe: estava com o espelho retrovisor do lado do motorista quebrado.  Meu cansaço era tanto que ao ver que era o único carro disponível naquele momento e uma mudança provavelmente levaria horas acabei aceitando (com uma anotação no contrato de locação, claro).  Só que hoje acordei cedo, descansado, e decidi ir até lá para ver o que poderia ser feito, já que guiar do lado contrário sem espelho retrovisor não é nada fácil.  

Não tinham nenhum carro na categoria que eu aluguei (o mais econômico possível), mas o cara me perguntou se eu me importaria em pegar um Astra sem nenhum acréscimo.  Como sou legal quebrei o galho para ele e agora estou com o carro que aparece na foto aí de cima, que tem ar condicionado como bônus (acredite ou não, os 15-18 graus do verão irlandês parecem bem mais quentes, talvez pela proximidade com o mar ou algum fenômeno sobre o qual eu não tenho a menor idéia).  Saindo da locadora aproveitei que já estava na parte sul da cidade e peguei a estrada até Kinsale, uma pequena cidade bem charmosa uns 20 minutos daqui, e acabei passando a tarde por lá.  

A minha grande preocupação em relação à dificuldade em guiar do lado esquerdo não durou cinco minutos.  O ponto principal é prestar atenção no que você está fazendo, mas fora isso é bem tranquilo.

Como sempre, as fotos estão no Flickr.

Mais uma viagem

O tempo acabou passando rapidamente e nesta sexta vou mais uma vez para Cork.  Ainda não é a mudança definitiva, que só deve acontecer quando eu receber a permissão para trabalho, mas espero usar esse tempo para resolver algumas coisas e conhecer um pouco mais da cidade.

Para facilitar a vida decidi alugar um carro, em parte para agilizar a visita aos bairros que achei interessantes na minha busca por um lugar para morar e em parte para ver como é guiar do outro lado da rua.  Já estive em vários países que adotam a “mão inglesa” (momento cultural: você sabia que 34% do mundo guia na pista da esquerda?), mas sempre como turista e usando transporte público, então vamos ver como vou me sair ao volante.  O processo para tirar uma nova habilitação na Irlanda muda no final de outubro e vai ser bem mais complicado, então ainda vou analisar se vale mesmo a pena (além do custo de manutenção de um carro e da gasolina em euro).  

Na próxima semana devo postar bastante por aqui conforme for descobrindo informações sobre a cidade.