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December 11th, 2008 — Vida nas Europa
Essa semana recebi uma mensagem pelo Flickr do Gabriel, que está morando em Portugal mas pensa em vir para a Irlanda para aprender inglês. Além de querer saber sobre a vida noturna aqui em Cork (que eu conheço muito pouco, mas pelo que vi parece ser bem animada), ele estava curioso em relação ao custo de vida aqui na Irlanda. Essa semana eu li no Irish Times que a Irlanda é o quarto país mais caro do mundo para se viver, e pelo que eu tenho visto é isso mesmo. Os aluguéis, por exemplo, começam na faixa de €1000 por em apartamento de um quarto na cidade, e podem custar muito mais caro dependendo da área. Claro que dá para encontrar coisas por valores mais baixos, mas eu não recomendaria.
Um colega de trabalho optou por alugar uma casa em Midleton (onde fica a destilaria do whiskey Jameson), e com isso ele economizou uma boa grana por mês, mas leva duas horas no trânsito todo dia, sem falar no gasto com gasolina (€1.10 o litro, mas felizmente os preços parecem estar caindo nos últimos tempos). Sei que em cidades grandes passar duas horas no trânsito é o normal, mas por aqui, a não ser que você more em Dublin, foge completamente dos padrões.
O mais importante para quem está no exterior é nunca pensar em quanto as coisas custariam no Brasil, por que senão você pira. Um café, dependendo do lugar, custa €3, e um jantar simples não sai por menos de €30 (sem vinho, só com refrigerante). Uma Guinness no pub custa €4, mas no supermercado você compra por €2. Por outro lado, eletrônicos custam bem mais barato, e dá para encontrar uma bela TV LCD de 40 polegadas por cerca de €700, um aparelho de DVD por €20 e um microondas por €30.
Do jeito que a economia anda e com o real desvalorizado, para morar por aqui só mesmo ganhando em Euro.
November 19th, 2008 — Cotidiano, Vida nas Europa
Depois de tanto tempo sem escrever por aqui estava até com vergonha de voltar como se nada tivesse acontecido. Quando eu decidi mudar para a Irlanda e parar temporariamente o guileite.com e começar a escrever neste blog achei que seria super simples, bastaria contar um pouco da minha vida aqui e pronto, teria posts bacanas. Mas a verdade é que a rotina por aqui não é lá muito interessante, acordo cedo e vou para o trabalho, volto para casa a noite (que nessa época do ano significa qualquer coisa depois das 4:30, já que anoitece muito cedo), assisto alguma coisa na TV, falo com o povo no Brasil e só. Final de semana é uma coisa que eu tenho visto muito pouco, já que estamos com tanto trabalho lá na “firma” (como diz o Maestro Billy) que eu tenho trabalhado direto. E não é aquela coisa de “dar uma passada no escritório” no sábado não, são 9, 10 horas nos dois dias, direto. Resumindo, faltam novidades que eu possa comentar e também tempo e energia.
Fizemos algumas viagens rápidas por aqui. Em um dos raros finais de semana livres fomos até Dublin de trem. Depois dos trens da China no ano passado o daqui é super luxo, e por €33 te leva de Cork até Dublin em três horas. Ficamos em um hotel perto da Rua O’Connell, e claro, fomos até a Guinness fazer o passeio pela cervejaria e tomar umas pints no bar, que fica no sétimo andar. Eu adoraria dizer que foi ótimo e que ficamos por lá um bom tempo admirando as montanhas Wicklow, mas estava tão lotado que achamos melhor descer e ficar no outro bar, sem vista mas com espaço para respirar. Tá certo, era um final de tarde de sábado, mas eu fiquei com a impressão de que a cerveja é só para enganar, os caras ganham grana é com os passeios e com a venda das camisetas. A região do Temple Bar teria sido fantástica há uns cinco anos, mas achei bem decadente, cheia de turistas bêbados. Valeu a pena só pela loja que vende produtos brasileiros, onde eu consegui comprar polvilho para fazer pão de queijo.
O passeio pelo Ring of Kerry, uma estrada de 170 km pela península Iveragh, foi bem bacana, mas no primeiro dia tivemos um dia tipicamente irlandês (tradução: choveu pacas e não dava para enxergar nem 100m na frente do carro). No dia seguinte, também seguindo a tradição irlandesa, o clima mudou completamente e o dia amanheceu sem uma nuvem no céu e pudemos aproveitar, parando em várias cidades pequenas pelo caminho, aproveitando para almoçar em um pub excelente em Kenmare, o Davitt’s. Altamente recomendado, especialmente o bacon com fritas. Para terminar o passeio, um pouco de neve nas montanhas perto de Killarney, sinal de que o que eu tenho escutado por aí deve ser verdade e este vai ser o inverno mais frio dos últimos anos.
Vamos ver se com a Fer por aqui (ela volta no começo do mês que vem) essa galera apronta altas confusões e eu tenho assuntos interessantes para escrever.
September 19th, 2008 — Vida nas Europa, cork
Já faz quase um mês que cheguei aqui na Irlanda, e essa semana foi aquela na qual as coisas aconteceram. Aluguei uma casa, comprei um carro, recebi o cartão do banco, me registrei com a Garda (a polícia local), enfim, acertei quase todos os detalhes para realmente começar a vida por aqui.
Hoje quando saí do trabalho passei no shopping para comprar alguma coisa para o jantar e entrei na Carphone Warehouse para comprar um celular (claro, um iPhone 3G). Fui até o balcão e pedi um iPhone, apresentei os documentos, paguei, peguei a minha sacolinha e fui andando pelo shopping em direção ao meu carro. Só que no caminho lembrei que precisava comprar uns lençóis para o quarto de hóspedes (vida sozinho não é fácil, tenho que cuidar de tudo na casa para a chegada da Fer daqui 10 dias), e enquanto a moça passava o cartão de crédito decidi abrir o pacote do iPhone.
Surpresa total, era um iPhone antigo, que oficialmente não é mais vendido por aqui. Voltei na hora na loja e expliquei para o cara que ele tinha me vendido um modelo antigo, e deu para perceber que ele não conhecia realmente o produto, então não foi uma tentativa de enganar um estrangeiro, simplesmente um erro (que não deveria acontecer, claro, mas faz parte da vida). Em menos de um minuto ele foi lá dentro e me trouxe uma nova caixa, desta vez com um iPhone 3G, e após milhões de pedidos de desculpas saí da loja com o meu novo celular irlandês.